A palavra como resistência: educadores dão início à Oficina de Poesia do Coletivo Cultural da ACP

Na ACP, a luta em defesa da educação pública também encontra morada na sensibilidade da palavra. Foi nesse espírito que aconteceu o 1º encontro da Oficina de Poesia do Coletivo Cultural da ACP, iniciativa coordenada pelo professor Ádemir Barbosa, que reuniu educadoras e educadores dispostos a transformar vivências, memórias e sentimentos em poesia.

O encontro marcou o início de um espaço de criação coletiva onde a escrita se torna também um gesto de resistência, de escuta e de expressão. Em uma categoria que carrega diariamente o desafio de ensinar, cuidar, formar e transformar realidades, a poesia surge como território de respiro e de reencontro com a própria sensibilidade. Professores e professoras que, nas salas de aula, ensinam o poder da palavra, agora também se permitem habitá-la como autores, como criadores de sentidos e de beleza.

A oficina nasce justamente desse reconhecimento de que a categoria da educação é feita de múltiplos talentos. Para além do exercício profissional, educadores também são leitores, artistas, cronistas da vida cotidiana, guardiões de histórias e de afetos. Ao abrir esse espaço, a ACP reafirma seu compromisso com a valorização integral da categoria, reconhecendo que educar também é cultivar cultura, pensamento e sensibilidade. O primeiro encontro contou com a participação especial do advogado, poeta e escritor Athayde Nery de Freitas Jr., que compartilhou reflexões sobre o processo criativo e sobre a potência da palavra como instrumento de leitura do mundo.

“Para nós, da ACP, valorizar a cultura também é valorizar os educadores e educadoras em toda a sua dimensão humana e criativa. A oficina de poesia nasce justamente desse reconhecimento de que a categoria não é feita apenas de profissionais que ensinam, mas de pessoas que pensam, sentem, escrevem e produzem cultura. Abrir esse espaço é afirmar que a luta pela educação pública também passa pela sensibilidade, pela arte e pela palavra”, destacou o presidente da ACP, Gilvano Bronzoni.

Com sua experiência literária e trajetória pública ligada à cultura, Athayde contribuiu para inspirar os participantes a olhar para a própria vivência como matéria-prima para a escrita. Ao longo da atividade, os participantes foram convidados a refletir sobre o fazer poético, sobre o olhar sensível diante da realidade e sobre a capacidade da palavra de registrar o tempo, as memórias e os sentimentos que atravessam a vida de quem educa.

Mais do que uma oficina literária, o encontro se transformou em um espaço de encontro entre educadores que compartilham o desejo de criar, de escrever e de se reconhecer também como sujeitos da cultura. Iniciativas como essa revelam a dimensão humana e criativa da categoria. A ACP, ao incentivar e acolher esses espaços, reafirma que o sindicato é também território de cultura, de arte e de expressão. Porque quem ensina também escreve o mundo todos os dias. E quando professores se encontram para fazer poesia, não nasce apenas um poema. Nasce também memória, identidade e pertencimento. Afinal, a ACP é feita de luta, mas também de palavra, sensibilidade e poesia.

Assessoria de Imprensa/Marithê do Céu