
O expressivo crescimento no número de professoras e professores afastados da sala de aula por motivos de saúde tem revelado um cenário cada vez mais preocupante em Campo Grande e reforça a urgência de ampliar e aprofundar o debate sobre a saúde mental dos profissionais da educação pública em Mato Grosso do Sul. Ao final de 2025, mais de 600 docentes da Rede Municipal de Ensino encontravam-se readaptados e exercendo outras funções, após adoecerem em decorrência das condições impostas pela rotina de trabalho, o que evidencia a sobrecarga enfrentada pela categoria.
Os dados expõem uma realidade que ultrapassa o âmbito individual e afeta diretamente o funcionamento das escolas, a qualidade do ensino ofertado e a própria organização da rede pública. Para o sindicato, esse quadro não pode ser tratado como algo pontual ou circunstancial, mas como resultado da ausência de políticas públicas consistentes voltadas à valorização profissional, à melhoria das condições de trabalho e, sobretudo, à prevenção do adoecimento físico e emocional dos educadores.
A defesa da saúde dos profissionais da educação pública constitui uma das principais frentes de atuação da ACP, em conjunto com a Fetems, e tem sido pauta permanente nas mesas de negociação com os Executivos Municipal e Estadual. Nessas instâncias, o sindicato tem cobrado, de forma firme e sistemática, a implementação de políticas efetivas que assegurem condições dignas de trabalho, estabilidade na carreira e cuidado integral com a saúde física, emocional e mental da categoria.
“O tema da saúde do professor é central para o Sindicato e em todas as reuniões com o Executivo Municipal e com o Executivo Estadual, nós colocamos esse ponto na mesa e cobramos ações urgentes para enfrentar esse problema que atinge a nossa categoria e impacta diretamente a qualidade da educação. Essas pautas são fundamentais porque garantem estabilidade na carreira, estabilidade financeira e também estabilidade emocional para o professor”, afirmou o presidente da ACP, professor Gilvano Bronzoni.
Mesmo diante de um cenário adverso, marcado por sobrecarga, múltiplas demandas e ausência de suporte adequado, professoras e professores seguem demonstrando competência, força e seriedade no compromisso com a educação pública e com o processo de formação dos estudantes. No entanto, a ACP alerta que a insuficiência de políticas públicas em áreas essenciais, como saúde, segurança, esporte e lazer, acaba refletindo diretamente no cotidiano escolar, ampliando os desafios enfrentados dentro das unidades de ensino. “Hoje, além dos problemas internos da escola, enfrentamos os problemas sociais da população em geral. A ausência de políticas públicas de saúde, segurança, esporte e lazer impacta diretamente a realidade dentro da escola”, afirmou o presidente da ACP.
A preocupação do sindicato se amplia diante do crescimento do número de professores readaptados também na Rede Estadual de Ensino, o que reforça a necessidade de ações estruturadas e integradas entre os entes públicos. Para a ACP, é indispensável que os governos avancem na construção de políticas preventivas, permanentes e efetivas, que priorizem o cuidado com a saúde mental dos profissionais da educação.
Nesse sentido, Gilvano Bronzoni afirma que a prevenção já está no centro do diálogo com a Secretaria Municipal de Educação. “Como medida para a prevenção das doenças, temos debatido com a Semed desde o ano passado e já temos marcado, para o primeiro semestre deste ano, o lançamento de um projeto que cuide exclusivamente da saúde mental de professoras, professores e profissionais administrativos nas escolas, de forma preventiva, promovendo a saúde dos colaboradores da educação”, garantiu.
Para a ACP, embora essas iniciativas representem avanços importantes, ainda é fundamental avançar com firmeza na consolidação de políticas públicas mais amplas, permanentes e eficazes, que valorizem os profissionais da educação e protejam sua saúde mental. Cuidar de quem educa é uma condição essencial para fortalecer a escola pública, garantir qualidade no ensino e assegurar um futuro mais justo para toda a sociedade.
Assessoria de Imprensa/Marithê do Céu















