Ranking salarial de 2026 expõe desafios e reforça luta pela valorização da educação

O levantamento salarial de 2026 divulgado pela FETEMS, em conjunto com seus 74 sindicatos filiados, vai além da simples apresentação de números. Os dados revelam as desigualdades que ainda persistem entre os municípios sul-mato-grossenses e evidenciam um cenário que reforça uma das principais bandeiras históricas da ACP: a valorização efetiva dos profissionais da educação por meio do cumprimento integral do Piso Salarial Nacional, do fortalecimento dos planos de carreira e da ampliação dos investimentos na educação pública.

Os números demonstram que Mato Grosso do Sul ainda convive com realidades bastante distintas quando o assunto é remuneração do magistério. Enquanto alguns municípios avançam na valorização profissional, outros seguem apresentando estruturas salariais insuficientes para garantir o reconhecimento compatível com a responsabilidade e a importância social da profissão. O cenário confirma que a valorização dos trabalhadores da educação continua sendo um desafio permanente e uma pauta que exige vigilância e mobilização constantes da categoria.

Campo Grande avança, mas a luta continua

Entre os municípios sul-mato-grossenses, Campo Grande ocupa a 5ª colocação no ranking salarial dos profissionais do magistério com formação superior. O resultado demonstra avanços importantes conquistados ao longo dos últimos anos e reflete a força da mobilização dos trabalhadores da educação em defesa de melhores salários e do fortalecimento da carreira.

Para a ACP, a posição alcançada não é fruto de decisões isoladas da administração pública, mas resultado de anos de organização, negociação e pressão exercidas pela categoria por meio de sua entidade representativa. Cada avanço registrado no ranking está diretamente relacionado à capacidade de mobilização dos profissionais da educação e à atuação permanente do movimento sindical na defesa dos seus direitos.

Ao mesmo tempo, a entidade ressalta que a colocação obtida não pode ser encarada como ponto de chegada. A valorização profissional não se resume à posição ocupada em um ranking. Ela envolve a manutenção e ampliação de direitos, o fortalecimento dos planos de carreira, a realização de concursos públicos, a garantia de condições adequadas de trabalho e a construção de uma política permanente de valorização dos educadores.

Valorização profissional não é discurso, é compromisso

A ACP reafirma que não existe educação pública de qualidade sem profissionais valorizados. Salários dignos, carreira estruturada, condições adequadas de trabalho e reconhecimento profissional não são benefícios concedidos pelos gestores, mas elementos essenciais para garantir a qualidade do ensino oferecido à população.

Nesse sentido, a luta pela valorização vai muito além do cumprimento do Piso Nacional. A entidade defende a consolidação de planos de carreira capazes de assegurar progressão funcional e valorização ao longo da trajetória profissional; o respeito à hora-atividade, fundamental para o planejamento pedagógico; a realização periódica de concursos públicos para combater a precarização dos vínculos de trabalho; e políticas permanentes de recuperação salarial que acompanhem as transformações econômicas e as necessidades da categoria.

Essas reivindicações não surgiram recentement, são resultado de décadas de organização sindical e permanecem atuais porque ainda não foram plenamente atendidas em grande parte das redes de ensino. Cada conquista alcançada pelos profissionais da educação é fruto da mobilização coletiva e da luta permanente em defesa da carreira docente.

Não basta cumprir o mínimo: é preciso avançar

Mesmo nos municípios que cumprem o Piso Salarial Nacional, a ACP alerta que o cumprimento da legislação não pode ser tratado como favor ou conquista definitiva. Trata-se de uma obrigação legal que representa apenas o patamar mínimo de valorização profissional.

A própria Meta 17 do Plano Nacional de Educação estabelece a necessidade de equiparação salarial dos profissionais do magistério com os demais trabalhadores de escolaridade equivalente. No entanto, essa realidade ainda está distante de ser alcançada em grande parte do país, revelando que a educação continua enfrentando obstáculos históricos relacionados ao financiamento, ao reconhecimento profissional e à valorização da carreira.

Essa defasagem demonstra que o debate sobre remuneração não pode se limitar ao cumprimento do piso. É necessário construir políticas públicas capazes de garantir crescimento profissional, perspectivas de desenvolvimento na carreira e remuneração compatível com a responsabilidade assumida diariamente pelos educadores.

Diante desse cenário, a ACP reafirma seu compromisso com a defesa intransigente dos direitos da categoria. A entidade continuará atuando com competência, firmeza, força e seriedade na cobrança por melhores salários, valorização da carreira, realização de concursos públicos e condições dignas de trabalho para todos os profissionais da educação.

A valorização dos trabalhadores da educação não pode permanecer apenas no discurso. Ela exige investimento, compromisso político e respeito àqueles que sustentam diariamente o direito à educação pública. Fortalecer a carreira docente é fortalecer a escola pública, garantir a qualidade do ensino e investir no futuro da sociedade.

Comunicação ACP com Fetems