
Nesta quinta-feira (29), a ACP abriu espaço para um momento de delicadeza e força: o lançamento dos quadros do Concurso de Poesia Sindical, promovido pelo Coletivo de Cultura e Produção da Secretaria Social e Cultural. Foram 13 frases escolhidas entre os participantes da Oficina Poética: Poetizar é Preciso, agora transformadas em quadros que embelezam a ACP Casa Park’s e a sede da entidade.
Mais que adornos, os quadros se tornaram marcas de um tempo: palavras que atravessam a rotina sindical, muitas vezes associada apenas à luta, à assembleia, ao embate, e revelam que também há espaço para a poesia, para o silêncio ou algazarra criativas, para o sopro de calmaria e/ou alvoroço em meio as lutas.

Para o coordenador do Coletivo, professor Ádemir Barbosa, a experiência reafirma a potência da palavra como forma de resistência e de cura.
“As palavras fervem dentro de nós, deixam em ebulição, como se fôssemos adolescentes. Quando escrevemos, desabafamos, curamos a alma. A poesia pode ser paz e tranquilidade, mas também crítica, revolta e desespero. Nosso objetivo era esse: trazer frases dóceis, mas que carregassem a dureza da vida e da luta sindical. Em resumo, trazer paz em meio à guerra.”
Para professora aposentada Rosaura Ferreira de Oliveira, filiada à ACP há 43 anos, que mais tocou o público presente. Para ela, a oficina foi mais do que um encontro de escrita: foi um reencontro consigo mesma.
“Sentir-se valorizada na terceira idade é muito bom. A arte nos lembra que a vida não acabou. Estou aposentada há mais de 20 anos, mas nunca me afastei da criação. Quando surgiu a oficina, achei estranho: poesia parecia coisa de criança. Mas aceitei porque sempre gostei de desafios. Entrei e amei. De repente, me vi poeta.”
Aos 70 anos, Rosaura fala com humor e sensibilidade da surpresa de descobrir a poesia como caminho tardio, mas transformador.

“Já perdi muita coisa na vida, mas decidi que não perco mais o bom humor. E até brinquei: eu já ganhei dinheiro com literatura. Na escola, eu escrevia bilhetinhos de amor para as colegas e cobrava por isso. Quando não dava certo, a culpa não era do bilhete.”
Entre o riso e a emoção, a fala da professora revela a essência da Oficina Poética: Poetizar é Preciso: um espaço que não apenas ensina a escrever versos, mas devolve às pessoas a certeza de que a palavra, quando compartilhada, é também legado. Um legado de resistência, de memória e de beleza que agora se perpetua nas paredes da ACP.












