Campo Grande, 127 anos: a história da Capital também passa pela luta da ACP

Fundada em 1952, 25 anos antes da criação de Mato Grosso do Sul, a ACP atravessou transformações políticas e sociais e ajudou a escrever parte fundamental da história da educação pública da Cidade Morena.

Campo Grande completa 127 anos neste 26 de agosto. Dessa trajetória centenária, 74 anos foram vividos com a presença organizada dos profissionais da educação pública por meio da ACP. São histórias que se encontram, se atravessam e ajudam a explicar a própria construção da Capital.

Antes de Campo Grande se tornar capital de Mato Grosso do Sul, antes mesmo de existir Mato Grosso do Sul, professoras e professores da cidade já haviam compreendido que uma educação pública forte dependia também da organização de seus trabalhadores.

Foi nesse contexto que, em 1952, nasceu a Associação Campo-Grandense de Professores, origem do atual Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública.

A primeira reunião que deu início à organização aconteceu em 21 de abril daquele ano, em uma sala do Clube Libanês, no Edifício Olinda, no centro de Campo Grande. Em 18 de maio, 75 professores participaram da eleição da primeira diretoria da ACP.

Naquele período, educadoras e educadores enfrentavam baixos salários, atrasos nos pagamentos, poucas garantias profissionais e relações de trabalho muitas vezes submetidas à interferência política. Organizar uma entidade representativa significava construir força coletiva diante de problemas que atingiam toda a categoria. Ali começava uma história que passaria a acompanhar a própria transformação de Campo Grande.

UMA ENTIDADE MAIS ANTIGA QUE O PRÓPRIO ESTADO

Quando Mato Grosso do Sul foi criado, em 1977, a ACP já tinha 25 anos de existência. Quando o novo Estado foi oficialmente instalado, em 1979, tendo Campo Grande como Capital,a organização dos profissionais da educação já fazia parte da vida política e social da cidade.

Essa dimensão histórica ajuda a compreender o lugar ocupado pela ACP. O Sindicato cresceu junto com Campo Grande, atravessando mudanças de governos, regimes políticos, estruturas administrativas, expansão da rede pública de ensino e profundas transformações sociais.

A ACP passou pelos anos da ditadura militar, enfrentou períodos de repressão e atrasos salariais e participou das lutas pela redemocratização e pela consolidação de direitos.

Ao longo das décadas, estiveram entre suas principais pautas aquilo que hoje constitui parte fundamental da vida profissional de quem trabalha na educação pública: concurso público, remuneração digna, carreira, direitos funcionais, valorização profissional, gestão democrática e defesa permanente da escola pública.

Cada direito conquistado carrega uma história anterior à lei, ao decreto ou ao anúncio oficial. Carrega assembleias, reuniões, negociações, mobilizações e gerações de profissionais que compreenderam que problemas coletivos exigem respostas coletivas.

A LUTA PELO PISO 20H TAMBÉM CONTA A HISTÓRIA DE CAMPO GRANDE

Entre as grandes marcas dessa trajetória está a luta pela valorização salarial e pelo Piso para a jornada de 20 horas dos professores da Rede Municipal de Ensino.

A reivindicação atravessou diferentes momentos da história recente da Capital e encontrou, em 2015, um de seus capítulos mais emblemáticos. Durante aproximadamente três meses, profissionais da REME protagonizaram uma das maiores mobilizações da história da educação Campo-Grandense em defesa do cumprimento da política de valorização do magistério.

Aquela luta deixou uma marca que ultrapassa a memória sindical. Tornou-se parte da própria história política de Campo Grande.

Mais de uma década depois, o Piso 20h continua mostrando que direitos conquistados precisam ser permanentemente defendidos.

Em 2026, a categoria voltou às ruas, realizou assembleias, paralisações e negociações para exigir o cumprimento da legislação e a valorização dos profissionais da educação. Mais uma vez, a organização coletiva colocou a educação pública no centro do debate da Capital.

Existe uma linha histórica que une os professores que se reuniram em 1952 aos profissionais que se mobilizam atualmente. Mudam as gerações, os governos e as circunstâncias. Permanece a compreensão de que uma escola pública forte depende de trabalhadores valorizados, carreira protegida e uma categoria organizada para defender seus direitos.

74 ANOS DE LUTAS QUE AJUDARAM A CONSTRUIR A EDUCAÇÃO PÚBLICA

A história da ACP continua sendo escrita nas pautas do presente. Está na defesa dos concursos públicos e da ampliação do quadro efetivo, na valorização da carreira, na cobrança pelo cumprimento do Piso, na defesa da gestão democrática das escolas, na luta pelos direitos dos profissionais da Educação Infantil, da Educação Especial, dos aposentados e aposentadas e dos trabalhadores convocados.

Está na resistência às tentativas de retirada de direitos, na defesa dos recursos públicos destinados à escola pública, no acompanhamento da legislação educacional, na atuação jurídica e na interlocução permanente com os poderes Executivo e Legislativo.

Está também na formação sindical, no debate sobre os rumos da educação, na mobilização da categoria e, principalmente, na presença cotidiana dentro das escolas. Porque uma cidade também pode ser compreendida pelas condições que oferece para ensinar e aprender.

As escolas de Campo Grande guardam parte importante da memória da própria Capital. Por elas passaram gerações de crianças, jovens, famílias e profissionais. Conforme a cidade cresceu, novos bairros surgiram, novas escolas foram necessárias e a educação pública assumiu responsabilidades cada vez maiores. Defender essas escolas e quem trabalha nelas é participar diretamente da construção de Campo Grande.

UMA HISTÓRIA ESCRITA POR QUEM EDUCA A CIDADE

Celebrar os 127 anos da Capital é reconhecer as muitas mãos que participaram de sua construção. Entre elas estão as mãos que seguraram o giz, abriram cadernos, alfabetizaram gerações, preencheram diários, construíram projetos, acolheram estudantes, enfrentaram salas lotadas e fizeram da escola pública um espaço essencial da vida Campo-Grandense.

São também as mãos que ergueram cartazes, organizaram assembleias, ocuparam ruas, enfrentaram períodos difíceis e sentaram à mesa de negociação para transformar reivindicações em direitos.

A história de Campo Grande também está escrita nessas trajetórias e aos 74 anos, a ACP carrega a memória daqueles que vieram antes e a responsabilidade de continuar representando quem diariamente faz a educação pública acontecer.

A Capital que cresce precisa continuar reconhecendo quem educa sua população. Precisa de escolas públicas fortalecidas, carreira valorizada, profissionais respeitados, concursos públicos, democracia, investimento e direitos preservados.

CIDADE MORENA. ACP PARA TODAS E TODOS.

Campo Grande mudou profundamente desde que um grupo de professores decidiu se organizar, em 1952. Tornou-se Capital, expandiu suas fronteiras, multiplicou sua população, suas escolas, seus bairros e seus desafios. A ACP também cresceu. De uma reunião de educadores nasceu uma entidade que atravessou gerações e se tornou parte da história da educação pública Campo-Grandense.

São 127 anos de Campo Grande em 74 deles, a ACP esteve aqui. Organizando, reivindicando, negociando, resistindo, conquistando e ajudando a construir a educação pública da Cidade Morena.

Assessoria de Imprensa/ Marithê do Céu

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