
A palestra do secretário de Formação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Gean Carlos Nunes de Jesus, durante o Encontro Anual dos Representantes Sindicais da ACP, ampliou o debate sobre os desafios da educação pública ao articular a conjuntura internacional com a realidade brasileira e local. Com uma análise crítica e aprofundada, Gean apontou que a crise do capitalismo e o avanço de projetos autoritários e da extrema direita têm impactos diretos sobre as políticas educacionais, exigindo da categoria organização, consciência política e atuação estratégica.
Ao contextualizar o cenário global, o palestrante destacou a consolidação de um mundo multipolar, com disputas entre grandes potências como Estados Unidos, China e Rússia, além da atuação de blocos econômicos como União Europeia, Mercosul, Brics e Asean. Segundo ele, essa reorganização geopolítica influencia diretamente as decisões econômicas e sociais dos países, refletindo no financiamento da educação e nas prioridades dos governos.
Gean também abordou a educação como elemento central na formação social e econômica, destacando que ela é constantemente alvo de disputas ideológicas e políticas. Nesse contexto, alertou para processos de desvalorização e perseguição aos profissionais da educação, que fragilizam o sistema público e comprometem o direito à aprendizagem.
Ao tratar do Plano Nacional de Educação, o secretário reforçou que suas metas, objetivos e estratégias representam um instrumento fundamental para o avanço da educação no país, mas que sua efetivação ainda enfrenta entraves significativos. Ele destacou que, no âmbito municipal, a realidade de Campo Grande revela desafios concretos, com o cumprimento parcial das metas previstas no Plano Municipal de Educação, evidenciando a necessidade de maior compromisso do poder público.
Entre as prioridades apontadas, Gean ressaltou a ampliação do acesso à educação básica, a valorização dos profissionais, a garantia da educação em tempo integral, o enfrentamento das desigualdades e o incentivo à pesquisa e à inovação. Para ele, esses eixos estruturantes precisam ser defendidos de forma permanente pelas entidades sindicais e pela sociedade.
A palestra reafirmou a importância de compreender a educação para além da sala de aula, inserida em um contexto político e econômico mais amplo, e fortaleceu o papel da ACP como espaço de formação crítica e de organização coletiva, preparando a categoria para enfrentar os desafios contemporâneos com unidade, firmeza e compromisso com a educação pública de qualidade.
Assessoria de Imprensa/ Marithê do Céu















