Programa “Mais Médicos” reafirma que o Piso Nacional do magistério deve ser pago para 20h

         Durante os protestos nacionais ocorridos no mês de junho, a população foi às ruas para cobrar dos governos federal, estaduais e municipais mais serviço público de qualidade. Com faixas e cartazes a sociedade cobrou, fundamentalmente: saúde, educação, segurança, infraestrutura e fim da corrupção.
         Em atendimento às cobranças, o governo federal anunciou o programa “Mais Médicos para o Brasil”, ofertando aos profissionais brasileiros ou estrangeiros que quiserem no interior do país ou periferias das cidades: salário mensal de R$ 10 mil e ajuda de custo (moradia e alimentação) de R$ 4 mil. Portanto, um total de R$ 14 mil mensais para uma jornada de 40 horas semanais.
         O Piso Salarial Profissional Nacional do magistério corresponde, em 2013, a R$ 1.567,00 para professores de nível médio. Como na maioria dos Estados e municípios os estatutos preveem 50% a mais do salário do profissional de nível médio, para o profissional de nível superior, é fácil observar que R$ 1.567,00 + R$ 783,50 dá uma soma de R$ 2.350,00.
         A CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) apresentou um estudo que demonstra que o professor é o profissional de nível superior cuja remuneração é, em média, 38% inferior aos demais profissionais com graduação.
         Com a oferta salarial de R$ 14 mil para os médicos e o piso nacional para professores com nível superior de R$ 2.350,00, está posto que o piso do magistério deve ser pago para uma jornada de 20h semanais. Ou o trabalho do professor é tão menos importante que de um médico, para não ter seu piso valorizado?