Na luta por direitos, ACP participa de protesto no Dia da Consciência Negra

Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, mais um dia de luta contra a retirada de direitos. A ACP participou do ato nacional contra o racismo e a política de retirada de direitos e desmonte do serviço público, promovida pelo governo Bolsonaro. Em Campo Grande, a concentração aconteceu na Praça Ary Coelho, a partir das 9h. Profissionais da Educação, trabalhadores de diversos segmentos, movimentos sociais e movimento negro se uniram no protesto que percorreu o centro da cidade.

Na pauta de protesto, a ACP reforçou a luta em defesa da educação pública e dos direitos trabalhistas e sociais para combater o racismo e promover a potência da população negra brasileira. Trabalhadoras e trabalhadores da educação lutam contra a PEC 32, que destrói os serviços públicos por meio da Reforma Administrativa; a PEC 23, que dá o calote nos precatórios; o desemprego gerado pela política econômica de Bolsonaro e Paulo Guedes; a alta dos preços e as privatizações.

Os trabalhadores e trabalhadoras também foram às ruas lutar pela democracia, pela vida e pela educação pública. “Nós não podemos nos calar diante da destruição do país, do desprezo pelas pessoas, da retirada de direitos da população, do extermínio da vida e do racismo estrutural agravado diariamente por esse governo que não se preocupa com o povo brasileiro, não promove uma única política pública em benefício das pessoas. Seguimos na luta!”, afirma o presidente da ACP, professor Lucilio Nobre.

Em 2021, quando tragicamente o Brasil viveu o auge da pandemia de Covid-19 e do crescimento das mazelas sociais, lutar e resistir contra a retirada de direitos  e o genocídio da população brasileira é imperativo para a luta antirracista. Afinal, a realidade escancara o racismo estrutural no Brasil: negros morrem mais de Covid-19 do que brancos, e mulheres negras morrem mais do que todos os grupos da base do mercado de trabalho. O acesso à vacina contra a Covid-19 também é desigual.

Quando olhamos para a educação, os números do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) 2021 denunciam: é o ano com menos pessoas negras inscritas, na década. A prova também terá a menor participação de candidatos com isenção de taxa, ou seja, aqueles com renda familiar de até 1,5 salário mínimo. Com isso, o Enem 2021 rompe uma trajetória de inclusão de estudantes negros e mais pobres. Desde 2009, as inscrições mostravam aumento da participação desses grupos na prova, que é a principal porta de acesso ao ensino superior no país. A edição deste ano recebeu o menor número de inscrições dos últimos 14 anos. A prova, que já teve mais de 8,7 milhões de inscritos, teve em 2021 apenas 3,1 milhões.

Na luta contra o racismo que mata, desemprega e retira a dignidade da maioria dos brasileiros e brasileiras, uma vez que 56,10% da população do país se declara negra, segundo dados Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE.

Os dados da pesquisa “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, divulgada em 2019 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) observa-se o impacto do racismo estrutural no Brasil: no estrato dos 10% com maior rendimento per capita, os brancos representavam 70,6%, enquanto os negros eram 27,7% e entre os 10% de menor rendimento, isso se inverte: 75,2% são negros, e 23,7%, brancos. Além disso, na classe de rendimento mais elevado, apenas 11,9% das pessoas ocupadas em cargos gerenciais eram pretas ou pardas. Entre os brancos esse percentual era de 85,9%.

“Considerando esse caráter estrutural do racismo no Brasil, lutar contra a PEC 32 (Reforma Administrativa), que destrói os serviços públicos; contra a redução dos investimentos em educação e o desmonte da escola e da universidade pública no Brasil; contra a alta de preços e em defesa da vida é a maior contribuição que a ACP e todo o movimento sindical no país pode acrescentar à luta antirracista brasileira”, finaliza a vice-presidente da ACP, professora Zélia Aguiar.