Dia da Consciência Negra: em mestrado, professora de História pesquisa contexto de escravização no Brasil e em MS

“O fato de me perceber no mundo, com o mundo e com os outros me põe numa posição em face do mundo que não é de quem nada tem a ver com ele. Afinal, minha presença no mundo não é a de quem a ele se adapta mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da História”Paulo Freire, em Pedagogia da Autonomia.

O patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire, nos adverte sobre a importância de se conhecer a história e compreender que, seres humanos que somos, entendendo os caminhos históricos que nos trouxeram até aqui, alcançamos, na construção do saber, a consciência que nos permite assumir nossa identidade e interferir no mundo a fim de melhorar toda nossa condição de opressão.

Nesse sentido, a ACP destaca, neste 20 de novembro – Dia da Consciência Negra, instituído pela Lei Federal Nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, a pesquisa de mestrado desenvolvida pela professora de História, Edinéia da Silva Santos, sob a orientação da Professora Dra. Katia Cristina Figueira, na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul).

“O objetivo da pesquisa é conhecer os aspectos da historiografia do Brasil, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a partir do enfoque da escravização. Analisei literatura da Escravização e processos crimes cometidos por escravizados e libertos na antiga Província do Mato Grosso, devido às péssimas condições e maus tratos a que essas pessoas estavam submetidas, gerando  uma degradação das relações entre senhores e escravizados que levou em crimes, fugas e resistências. Percebe-se que as legislações como o Código Penal de 1830 e a Lei de 1835, eram destinadas apenas a punir escravizados. Essas condições de profunda violência e uso do direito para reproduzir a escravização são muito marcantes, até as campanhas abolicionistas que resultaram na oficialização do término da escravidão no Brasil, em 1888, sendo o último país das Américas a abolir a escravidão”, explica Edinéia.

“É importante lembrar que a Lei Áurea veio apenas para formalizar o término da escravização no Brasil. É importante pensar que a escravidão no Brasil acaba por meio de uma campanha abolicionista muito intensa e por meio de revoltas, lutas e resistências das pessoas escravizadas. A lei é tão absurda, que observamos que ela tem apenas dois artigos. Na medida em que é tão objetiva do ponto de vista jurídico, ela não prevê o pós abolição, o que aconteceria com as pessoas negras escravizadas até então, as medidas nem para a sobrevivência, menos ainda que oportunizassem cidadania no Brasil”, pontua a professora de História.

O vídeo “História da Escravidão no Brasil e no Mato Grosso do Sul” é resultado dos estudos da professora Edinéia, no âmbito de sua dissertação de mestrado, e foi produzido em colaboração com seus alunos do Ensino Médio da E.E. Joaquim Murtinho. Ao desenvolver sua pesquisa e, por meio dela aperfeiçoar sua orientação na docência, a professora de História também estimulou a produção do conhecimento, através da pesquisa, nos estudantes, desenvolvendo seu trabalho numa perspectiva educativo-crítica, conforme ensina Paulo Freire:

“Este saber necessário ao professor – que ensinar não é transferir conhecimento – não apenas precisa de ser apreendido por ele e pelos educandos nas suas razões de ser, mas também precisa de ser constantemente testemunhado, vivido”.

Confira o vídeo!