ACP participa de reunião contra fechamento de escolas estaduais

O presidente da ACP, Lucílio Nobre, participou, nesta terça-feira (08), às 9 horas, de reunião na Câmara de Vereadores, para debater ações que serão adotadas contra o fechamento de escolas estaduais da Capital. A discussão sobre o tema foi organizada pelo vereador Valdir Gomes, presidente da Comissão Permanente de Educação da Casa de Leis e membro da Comissão Representativa para atuar durante o período de recesso parlamentar, que segue até 1º de fevereiro.

Depois das rematrículas dos alunos já terem sido feitas, a Secretaria Estadual de Educação anunciou, nos últimos dias, o fechamento das escolas Riachuelo, no Bairro Cabreúva, Otaviano Gonçalves da Silveira Junior, que fica dentro do residencial Flamingos, e a escola Zamenhof, localizada na Rua Dom Aquino, região central de Campo Grande. No total, são 1,2 mil estudantes. 

Revolta, tristeza e indignação. Sentimentos que marcaram as declarações feitas por pais, alunos, professores e demais profissionais de escolas públicas estaduais de Campo Grande que foram surpreendidos pelo anúncio de que os locais serão fechados pela Secretaria Estadual de Educação. Vereadores já acionaram o Ministério Público Estadual e continuarão cobrando providências para tentar manter os colégios abertos.  

Segundo o vereador Valdir Gomes, as reivindicações feitas durante a reunião desta terça-feira e as comprovações das matrículas serão anexadas ao requerimento formalizado junto ao Ministério Público Estadual. No dia 20 do mês passado, os vereadores aprovaram o pedido cobrando providências do MPE para que a Secretaria seja notificada a não fechar os estabelecimentos de ensino. 

“Não vou me calar. Represento a educação nessa Casa. Não tem que fechar escola”, afirmou Valdir Gomes. Ele contou que procurou a secretária estadual de Educação, Maria Cecília Amendola da Mota, mais de uma vez, esteve nos colégios com o secretário adjunto e esteve no MPE. 

Representando a ACP, Lucílio Nobre apontou a posição do sindicato quanto a falta de planejamento da SED. “Educação se pensa a médio e longo prazo, assim como o professor planeja seu trabalho; não faz sentido fechar do dia para noite. A ACP encaminhará à secretária de educação do estado, um ofício contrário ao fechamento das escolas, sobretudo após a efetivação das matrículas”, afirmou.

Nobre também destacou a posição do sindicato contra a alteração do calendário escolar, publicada na Resolução SED n. 3.550, no Diário Oficial n. 9.815 desta terça-feira (08), retardando o início do Ano Letivo 2019. “O calendário acrescenta 11 sábados letivos para as escolas estaduais de Campo Grande. A defesa do sindicato é que o professor, não trabalhe aos sábados”, protesta o presidente da ACP.

Para o presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), Jaime Teixeira, é fundamental a discussão envolver a sociedade, pois a função da escola vai muito além de aprender a ler, escrever ou fazer contas. “A escola tem função social. Ela nasce porque a comunidade precisa dela. Então, o fechamento tem que ter causa debatida”, argumentou.

Escolas

A empresária Ana Cristina Dias falou representando os pais de alunos da Escola Riachuelo, manifestando sua revolta. Ela reclamou que sua filha terá que fazer trajeto ainda maior de ônibus e teme pela sua segurança para ir a outra escola. “A Riachuelo tem 61 anos e é escola muito importante. A Secretaria aprovou o projeto de Ensino Médio na escola e, de forma incoerente, anunciou o fechamento. Minha filha já estava até rematriculada”, disse. A escola desenvolvia o profeto AJA (Avanço do Jovem na Aprendizagem). “Minha filha já tinha reprovado em outra escola. Foi para lá porque moramos no Bairro Amambai, ali perto. Agora, está interessada nos estudos, em projetos da escola”, disse.

A coordenadora da Escola Riachuelo, Tania Maria da Silva Marques, pediu ao menos que fosse possível a conclusão do Ensino Médio, por meio de novo projeto. “Vejo no dia a dia o desenvolvimento dos alunos. Não desconstrua o que foi construído. O projeto é maravilhoso”, argumentou. Ela relatou casos de aluno que eram da Unei e estão querendo prestar concurso ou ingressar no Exército.

Bastante emocionada, a estudante Mariana Borges, disse tem a Escola Riachuelo como uma casa. “Já choramos tanto por causa disso. Lá temos psicológo, professores dedicados. Alunos que podiam dar errado, mas  a escola aconselhou, ajudou. Por que fechar escolas? Deixo como reflexão para todos pensarem. Fizeram o projeto AJA, nos deram esperança de futuro melhor, mas agora querem nos transferir para outra escola onde não somos bem vindos e fizeram até protesto para não irmos”, disse a jovem, que preside o Grêmio Estudantil.

Pela Escola Otaviano, Agnaldo Cardoso, pai de aluno, disse que todos foram pegos de surpresa com o anúncio de fechamento. “Como pai estamos preocupados. A Escola Otaviano não está naquele lugar invadindo, entrou de forma ordeira, tendo anuência de pessoas do Residencial Flamingos. Estamos retrocedendo? A educação está tendo retrocesso pela condução de pessoas insensíveis ao saber, fazendo isso a toque de caixa, sem aviso prévio”, afirmou, referindo-se à polêmica sobre o colégio ficar no condomínio e a falta de diálogo com os alunos.

Aline Nunes, estudante da Escola Estadual Otaviano, disse que seu sentimento é de tristeza e revolta. “A escola tem um legado forte na nossa comunidade, muitos pais se formaram ali e tem seus filhos na escola. Pena a secretaria não estar aqui para nos ouvir”, afirmou. Ela lembrou que a escola é considerada a quarta melhor de Campo Grande. “Como é possível ser fechada dessa maneira?”, questionou a aluna.

No final de 2018, a ACP já havia participado de ato na EE Henrique Cirilo, contra o fechamento de turmas do Ensino Fundamental e Médio. Naquela ocasião, a SED e comunidade escolar entraram em acordo satisfatório para ambas as partes.

*Fonte: Com informações do site da Câmara Municipal