8 de abril: Dia Nacional do Braille e os verdadeiros números da sorte das pessoas com deficiência visual

 

Prof. Dr. José Aparecido da Costa*

 

Neste 8 de abril, com o respaldo da Lei Federal nº 12266, de 21 de junho de 2010, se comemora o Dia Nacional do Sistema Braille. Criado pelo francês Louis Braille em 1825, ele próprio pessoa cega, a anagliptografia, escrita em relevo que recebeu a denominação de braile em homenagem a seu inventor, tem, há quase 200 anos, oportunizado acesso à cultura, educação, informática, música, química, matemática, informação e trabalho, dentre outras tantas atividades significativas na sociedade, no que se refere a determinado contingente das pessoas com deficiência visual, já que nem todas as pessoas nessa condição, o utilizam.

No Brasil, o método chegou em 1850 por intermédio de José Álvares de Azevedo, primeiro professor com deficiência visual em atuação no país, considerado o patrono da educação da pessoa cega.

Ao se utilizar a reglete e o punção, equipamentos que se assemelham a uma prancheta e uma caneta, para a produção da escrita braile, tem-se como símbolo fundamental deste método uma célula constituída por seis pontos que, dispostos em duas colunas, são escritos da direita para à esquerda, vez que quando da realização da leitura, toma o sentido inverso do papel, já que para tal procedimento, a folha deve ser virada para cima. Desta forma, enquanto pessoa com cegueira, ao se considerar que os pontos da coluna da parte direita recebem os números 1, 2 e 3, por outro lado, os da coluna da esquerda, também na posição da escrita, se encontram assim numerados: 4, 5 e 6. De modo que, quando tive acesso aos meus melhores horizontes por meio da escrita e leitura, período da alfabetização no Sistema Braille, passei a considerar que estes são meus eternos algarismos da sorte. Sorte grande mesmo! Pois, a partir desses seis pontos, ganhei todas as cores da minha existência!

De fato, tal realidade se configura como algo análogo a uma Mega-Sena, prêmio que recebi pela aquela altura, aos 12 anos de idade, quando tive meu primeiro contato com relevante Sistema Braille.

Meus melhores agradecimentos a Louis Braille e José Álvares de Azevedo porque me trouxeram bem mais que os prêmios! A rigor, suas ações me proporcionaram as transformações decisivas no meu caminhar pessoal, profissional, e, sobretudo, acadêmico!

 

*José Aparecido da Costa é professor doutor em educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e pessoa com cegueira congênita em razão de catarata. Militante nas causas da inclusão das pessoas com deficiência, atua também como técnico do Laboratório de Pesquisas em Educação Especial, Acessibilidade e Inclusão (Lapis) da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).